A edição 2007 do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), desenvolvido pelo Ministério da Educação (MEC), traz uma boa notícia para o Ceará: o Estado obteve as notas mais altas da região Nordeste nos ensinos fundamental e médio. A média das séries iniciais do ensino fundamental passou de 3,2 (Ideb 2005) para 3,8 (Ideb 2007). A nota do ensino médio registrou um crescimento menor: de 3,3 para 3,4. Os dois resultados eram esperados somente daqui a dois anos, no Ideb 2009.
O Ideb foi criado em 2007 pelo Ministério da Educação. Ele é um indicador de qualidade educacional que combina resultados de provas nacionais de Português e Matemática, dos ensinos fundamental e médio, com as taxas de aprovação. A meta para o Ceará é chegar ao ano de 2021, véspera da comemoração dos 200 anos da Independência do Brasil, com notas 5,5 no ensino fundamental e 4,8 no ensino médio. Embora tenha visto seus índices se elevarem, o Estado ainda não alcançou a nota 4,0 no indicador, resultado já obtido por estados como Paraná, Santa Catarina e o Distrito Federal.
A secretária estadual da Educação, Izolda Cela, afirma que o Ceará segue uma tendência, observada nacional e regionalmente, de aumento significativo nas notas das séries iniciais. Mesmo assim, ela diz que a média obtida no Ideb 2007 não deve ser comemorada. "São resultados alentadores, no sentido de que estamos caminhando. É um alento, mas não merece comemoração. Temos ainda um quadro extremamente comprometido. Quando se analisam os resultados da educação básica, observa-se que eles são muito ruins. Os níveis de proficiência (competência) são rebaixadíssimos", avalia.
DIFICULDADES
De acordo com a secretária, o problema se agrava à medida em que as séries avançam. A distância entre a média obtida pelos alunos e o nível esperado é maior nas séries finais. "As dificuldades vão se acumulando. Passar mais tempo na escola não significa que se agregue mais valor. Quando o aluno não se alfabetiza bem, ele deixa de seguir uma rota adequada. Não tenho dúvidas de que essas mudanças ocorram de forma sistêmica. Não é por acaso que uma das políticas de educação é garantir a alfabetização na idade certa", explica.
De acordo com a secretária, o problema se agrava à medida em que as séries avançam. A distância entre a média obtida pelos alunos e o nível esperado é maior nas séries finais. "As dificuldades vão se acumulando. Passar mais tempo na escola não significa que se agregue mais valor. Quando o aluno não se alfabetiza bem, ele deixa de seguir uma rota adequada. Não tenho dúvidas de que essas mudanças ocorram de forma sistêmica. Não é por acaso que uma das políticas de educação é garantir a alfabetização na idade certa", explica.
A perspectiva de ter uma nota baixa no Ideb está fazendo com que muitos gestores se mobilizem. Izolda Cela revela ter ouvido muitos depoimentos de prefeitos preocupados com a nota de seu município, além de secretários prometendo que os resultados deste ano serão melhores que o da edição passada. "A avaliação é uma oportunidade de ver os resultados de seu trabalho e compará-los com os dos outros. Isso causa um incômodo e desconforto com a situação presente, gerando movimento", diz.
DEPOIMENTOS
DEPOIMENTOS
Depois da divulgação dos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), O POVO conversou com alguns especialistas da área. Os educadores citaram os fatores que provocaram a melhoria nos números do Ceará, mas lembraram que ainda existem deficiências a serem corrigidas. "Esse resultado se deve ao esforço de uma parcela significativa de municípios que, já há algum tempo, estão investindo com maior intensidade nas primeiras séries do ensino fundamental e, sobretudo, na alfabetização, que é o ponto de partida. Quando a alfabetização não funciona, o resto não funciona nunca mais. É bom lembrar que a educação básica compreende três segmentos - educação infantil e os ensinos fundamental e médio. E o infantil condiciona seriamente o segundo. Estamos investindo seriamente na educação infantil e esse passo atual já está atrasado. Enquanto não fizermos isso, não chegaremos aos padrões atuais de qualidade.
As nossas médias não são tão baixas. Os estados de classe média maior, automaticamente, têm notas melhores." Professor Edgar Linhares, presidente do Conselho de Educação do Ceará "É um resultado bom, positivo para a educação pública de uma forma geral. Não temos o resultado por cidades, mas acho que, como Fortaleza tem uma rede pública municipal extraordinariamente grande, deve estar na média.
A rede de Fortaleza é muito poderosa, mesmo diante de sua complexidade. É a terceira rede municipal em número de alunos e a quinta Capital em população. A qualidade é resultado das condições sistêmicas da educação, com equipamentos de qualidade, criança com acesso à escola, melhoria da merenda escolar e, claro, de uma maneira muito forte, com a valorização do profissional do magistério." Ana Maria Fontenele, secretária municipal da Educação "No caso do Ceará, essa melhoria já vem acontecendo.
De 2003 para cá, temos uma curva com tendência de crescimento. As políticas aplicadas têm repercutido e gerado um impacto de melhoria. Isso é resultado de um conjunto. Houve a formação de professores, embora ainda deixe muito a desejar em quantidade e qualidade, mas tivemos avanços nessa área. Há os aspectos relativos à gestão da escola, com a formação do diretor em nível superior, a universalização do livro didático e o fato de não termos mais crescimento de matrícula. Quando sair o resultado por cidades, vamos mapear quem são os municípios que estão fazendo o dever de casa direito e que têm os resultados melhores. A região Nordeste é quem puxa os indicadores do Brasil para baixo.
Os números do sul do Brasil são bem melhores do que o Nordeste, que tem cerca de 33% da população escolar do País. Mas ainda tem muito a ser feito. Há muitas deficiências que provocam o comprometimento da aprendizagem. É um desafio para ser superado." Eloisa Vidal, professora da Universidade Estadual do Ceará (Uece) ex-secretária-adjunta da Educação do Estado.
(O Povo, 12/06/2008)
Profa. Erla,
ResponderExcluirExcelente blog! Parabéns!
Prof. Dioney Gomes
Coordenador Nacional Gestar Ii - Língua Portuguesa